A valorização do artesanato em capim dourado (signoratus sp.) e a busca pelo seu posicionamento justo no mercado são metas do Projeto Capim Dourado, que está sendo realizado nas três áreas onde floresce no Tocantins: na área indígena Xerente, no Jalapão e em Dianópolis, sudeste do Estado. Também é diretriz do projeto, implementar e gerir o Selo de Origem do artesanato em capim dourado, que vai garantir a procedência desse importante produto tocantinense para comercialização interna e exportação. O posicionamento adequado desse artesanato no mercado certo, como um produto de qualidade, é um dos principais desafios do projeto. “A gente espera que o Selo venha contribuir nesse sentido”, conclui Lars.
Iniciado na terça-feira, 3, na aldeia Salto da etnia Xerente, em Tocantínia, com oficina de integração para 26 artesãs de 15 aldeias, o projeto está sendo desenvolvido com parceria entre Governo do Estado (Agência de Desenvolvimento Turístico (ADTUR) e Fundação Cultural); Ministério do Turismo e apoio da Fundação Banco do Brasil e Programa de Compensação Ambiental Xerente – Procambix. O consultor é o designer Lars Diederichsen, acompanhado pelo especialista em marketing, Eduardo Parente.
Durante a oficina, o consultor explicou como será o desenvolvimento das três fases do projeto e acompanhou o trabalho das artesãs, dando dicas de cuidados com o acabamento das peças e de novos designs, valorizando o diferencial do artesanato indígena em capim dourado: a utilização de sementes do cerrado e de adornos em seda de buriti. Ao final, Lars elencou as diversas possibilidades de utilização do artesanato como acessório pessoal, decoração em residências ou em escritórios. As artesãs deverão utilizar as novas idéias para diversificar a produção e valorizar sua identidade cultural.
Na quarta-feira, 4, o grupo visitou os locais de colheita próximos à aldeia Xerente Bela Vista. “A gente quer melhorar mais, ter um preço bom, que tenha valor nosso trabalho” é o que espera a artesã Aparecida Smikadi Xerente da aldeia Karehú, que há mais de dois anos trabalha com o capim dourado. “O objetivo principal dessa primeira etapa foi discutir os problemas e conhecer a realidade dos artesãos, para propor, na próxima etapa, algumas soluções para essas questões” afirmou o designer. A equipe estará no Jalapão de 06 a 10/10, onde a oficina acontece no Centro de Atendimento ao Turista em Mateiros, e encerra a primeira etapa em Dianópolis, de 10 a 12/10, com o encontro no Centro de Atendimento ao Turista.
Manejo Sustentável
Um dos principais problemas dos Xerente – que parecem ser os que menos sistematizam o processo produtivo –é o planejamento da colheita e manejo do capim. “Eles não sabem da importância de cortar as flores para deixar as sementes. Então a gente quer, nesses próximos dias, participar desse processo e registrar em foto e vídeo, para poder sugerir depois as soluções para essa situação”, disse o designer. Na segunda parte do projeto o foco será a cooperação e organização para a produção e a comercialização do artesanato, bem como preço do artesanato. “Os artesãos precisam saber colocar o preço justo pelo seu artesanato. Valorizando o tempo e a técnica empregados, além da quantidade da matéria-prima utilizada, eles estarão mais aptos a negociar”, declarou Eduardo Parente.
Na terceira etapa, deverão ser disponibilizadas duas publicações: uma direcionada aos turistas, com informações sobre o manejo adequado do capim, sobre os artesãos que trabalham com ele e a importância deste artesanato como fonte de renda para as comunidades locais; e outra, voltada aos interesses das comunidades, com indicações e técnicas do manejo sustentável do capim dourado. O projeto estará finalizado em suas três etapas até o mês de novembro.
Posicionamento no mercado
O consultor realizou uma pesquisa sobre a percepção do consumidor e o posicionamento do produto artesanato em capim dourado no mercado. Os resultados demonstram problemas como posicionamento incorreto, falta de identificação do produto no mercado nacional e grande variação de preço, que pode chegar até 200%. Como fator positivo, a pesquisa apontou a possibilidade de estar em contato com consumidores de qualquer parte do mundo, através da internet. “Você encontra o capim dourado num desfile de moda do Hercovitch em Nova York e ao mesmo tempo você encontra o capim dourado na rua de comércio popular 25 de março em São Paulo”.
O consultor
Lars Diederichsen é presidente da empresa de consultoria em design Terra Design em São Paulo (www.terradesign.com.br) e sócio fundador do Instituto Meio (www.institutomeio.org). Há vários anos elabora projetos junto a comunidades artesanais em vários estados do Brasil. No Tocantins, o especialista já trabalhou com o artesanato em filigrana de ouro em Natividade, com a cerâmica de Lajeado e no Jalapão.
fonte: Agência de Desenvolvimento e Turismo do Estado do Tocantins |